Já que ando a falar tanto de 'saudade' tem toda a lógica expôr aqui um artigo escrito por Marta Crawford que li numa revista e que fala de saudade e da melhor forma de lidar com ela.
Conseguir conviver com as saudades é um mistério e um exercício diário de contenção e de sublimação da dor da ausência. Seremos nós, portugueses, um povo geneticamente destinado a viver e cantar a saudade? Seremos assim tão habilidosos, a ponto de sabermos conviver com a saudade melhor que os russos, os italianos ou os australianos? (...)
Não sei o que se passar com os outros, mas eu tive de arranjar uma forma, mais ou menos eficaz, de conviver com as saudades. Penso que as saudades disto ou daquilo são sempre mais fáceis de gerir do que as saudades desta ou daquela pessoa. (...) Mas voltando às saudades dos outros, sinto que as vou gerindo com maior dificuldade, não de todas as pessoas, mas daquelas mais significativas da minha vida, como a perda daqueles que me eram queridos. Pior ainda são as saudades de quem não se perdeu, mas que embora longe fisicamente, está muito perto emocionalmente. São essas pessoas que dão à palavra saudade o seu verdadeiro significado. E são elas também que nos fazem sentir o peso da saudade na sua plenitude.
O que podemos fazer, perante uma situação em que se sente saudade do outro para que essa ansiedade diminua? (...) Não há truques infalíveis. Podemos arranjar mil e uma formas de dar a volta à saudade, como por exemplo, fazer muito desporto, cavar, construir um jardim, contar de dois em dois até aos 2000, trabalhar muito, cozinhar, saltar, correr, escrever, tudo é possível... Para mim, escreveré algo que funciona bastante bem, escrever tudo o que se está a pensar, a sentir ou a fazer, despejar literalmente tudo o que se vai formando na nossa cabeça. Parece-me ser esta a terapia ideal. (...) Cada palavra que se escreve, cada frase que se constói, cada parágrafo que se obtém é meio caminho andado para preencher o vazio. (...)

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