sábado, 6 de dezembro de 2014

Porque as pessoas MENTEM

mentiraDe acordo com o dicionário Howaiss, mentira significa “dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro, não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar, errar, causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir, não revelar; esconder, ocultar. Tais definições, no entanto, pouco dizem sobre os porquês da mentira. Por isso, vamos apresentar uma definição relacional (que leve em consideração o seu contexto), a partir do conceito de comportamento verbal. Beckert (2004) propõe que mentiras, promessas não cumpridas e omissões podem ser compreendidas quando se investiga a relação entre o comportamento verbal – o que se diz – e o comportamento não-verbal – o que se faz. Muitas vezes durante o dia nos pegamos contando pequenas mentiras, ou percebemos que algumas pessoas mentem muito: contam histórias mirabolantes ou histórias totalmente coerentes. Porém, após um tempo, descobrimos a verdade.
Perceber que uma pessoa está mentindo pode ser uma tarefa difícil. Muitas vezes o mentiroso acredita em sua própria mentira. O que geralmente se ouve no consultório: “eu não minto nunca”, ou “me senti muito triste por perceber que esta pessoa que eu confiava tanto mentiu”. Isso é muito mais comum do que imaginamos.
Por que a pessoa está mentindo para você
O primeiro passo para entender o comportamento de alguém que mente é entender o porquê dessa pessoa estar mentindo e qual a razão para ela se comportar dessa forma. A mentira é um tema de interesse para diversas áreas da sociedade. Frequentemente programas de TV tentam identificar pessoas que mentem, e na ciência como fonte de pesquisa, que objetivam responder o motivo pelo qual o ser humano mente.
Segundo Pereira, Brasileiro, Brachi e Albuquerque (2006) há muito tempo cientistas pesquisam sobre a mentira. Este comportamento possui diversas explicações metodológicas. E, em algumas dessas pesquisas, cientistas colocaram na prática a observação e efeito da mentira no organismo dos seres humanos.
Segundo Sidman (1999), existem agentes de controle como educação, religião, governo e sociedade. Esses agentes controlam os comportamentos dos indivíduos aumentando a probabilidade de mentir diante de algumas situações, ou de falar a verdade, pois quando nos sentimos controlados por algo nos limitamos a ser verdadeiros por medo de uma possível ameaça.
Os indivíduos que na sociedade se inserem controlam os comportamentos uns dos outros, gerando consequências boas ou ruins. São essas consequências que diante da sensibilidade do indivíduo aumentam ou não a possibilidade de acontecer novamente, ou seja, um comportamento reforçado haverá maiores possibilidades de ser mantido, e um comportamento punido ou reforçado negativamente obtém menores chances de se manter no ambiente, considerando que o indivíduo possui uma história de vida e uma história de relação com o ambiente.
Diante dessa relação, os indivíduos aprendem novas formas de se manter no ambiente de maneira segura, sem coerção. Entretanto, esta forma não é a forma mais segura. E obter reforçadores positivos não é sinônimo de comportamentos adequados ou assertividade do sujeito. Sendo assim, o indivíduo busca várias formas de evitar “problemas” ou fugir deles.
A mentira pode ter algumas explicações, como por exemplo, uma forma de fugir de um controle, de alguém que ameaça e dá bronca; ou uma forma de fazer com que o indivíduo sinta-se melhor diante de suas fraquezas. Algumas consequências desses comportamentos geram subprodutos (sentimentos). Ou seja, o sujeito que obtém reforçadores negativos, sendo eles broncas e castigos, provavelmente emitirá comportamentos de esquiva ou fuga. Estes comportamentos poderão ser mantidos se o agente controlador continuar emitindo comportamentos que punam o sujeito.
Ao longo do tempo essas consequências podem fazer o sujeito medroso e ansioso. Então, onde a mentira ocorre para que o sujeito evite punição, pode-se nomear como uma forma de “contra controle” para o sujeito que tenta incessantemente cessar esta forma de “choque” em comportamentos.
Quando a ideia é facilitar a vida, pode-se entender como as contingências da vida de um sujeito na sociedade podem ter consequências diversas. Neste caso a mentira está relacionada com as contingências sociais e o controle, pois diante do aprendizado que o indivíduo agrega ao longo de sua vida, controlar pode se tornar uma das funções de suas relações com o ambiente.
Em síntese, quase todas as pessoas mentem todos os dias, ou já mentiram. Contudo, precisamos entender: por que essa pessoa mente? Para controlar os outros? Para deixar feliz quem ama? Ou para fugir de algo ruim? Quais são os valores da verdade para o mentiroso? Talvez esta pessoa ainda não saiba as consequências de suas mentiras.

Esta resposta podemos encontrar através de uma análise funcional do comportamento de quem está vivendo sob mentiras. Ao perceber esta situação, precisamos analisar o quanto as mentiras de seu parceiro ou filho estão atrapalhando no dia-a-dia.

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