De
acordo com o dicionário Howaiss, mentira significa “dizer, afirmar ser
verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de
induzir ao erro, não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar,
errar, causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir, não revelar;
esconder, ocultar. Tais definições, no entanto, pouco dizem sobre os porquês da
mentira. Por isso, vamos apresentar uma definição relacional (que leve em
consideração o seu contexto), a partir do conceito de comportamento verbal.
Beckert (2004) propõe que mentiras, promessas não cumpridas e omissões podem
ser compreendidas quando se investiga a relação entre o comportamento verbal –
o que se diz – e o comportamento não-verbal – o que se faz. Muitas vezes
durante o dia nos pegamos contando pequenas mentiras, ou percebemos que algumas
pessoas mentem muito: contam histórias mirabolantes ou histórias totalmente
coerentes. Porém, após um tempo, descobrimos a verdade.
Perceber
que uma pessoa está mentindo pode ser uma tarefa difícil. Muitas vezes o
mentiroso acredita em sua própria mentira. O que geralmente se ouve no
consultório: “eu não minto nunca”, ou “me senti muito triste por perceber que
esta pessoa que eu confiava tanto mentiu”. Isso é muito mais comum do que
imaginamos.
Por
que a pessoa está mentindo para você
Segundo
Pereira, Brasileiro, Brachi e Albuquerque (2006) há muito tempo cientistas
pesquisam sobre a mentira. Este comportamento possui diversas explicações
metodológicas. E, em algumas dessas pesquisas, cientistas colocaram na prática
a observação e efeito da mentira no organismo dos seres humanos.
Segundo
Sidman (1999), existem agentes de controle como educação, religião, governo e
sociedade. Esses agentes controlam os comportamentos dos indivíduos aumentando
a probabilidade de mentir diante de algumas situações, ou de falar a verdade,
pois quando nos sentimos controlados por algo nos limitamos a ser verdadeiros
por medo de uma possível ameaça.
Os
indivíduos que na sociedade se inserem controlam os comportamentos uns dos
outros, gerando consequências boas ou ruins. São essas consequências que diante
da sensibilidade do indivíduo aumentam ou não a possibilidade de acontecer
novamente, ou seja, um comportamento reforçado haverá maiores possibilidades de
ser mantido, e um comportamento punido ou reforçado negativamente obtém menores
chances de se manter no ambiente, considerando que o indivíduo possui uma
história de vida e uma história de relação com o ambiente.
Diante
dessa relação, os indivíduos aprendem novas formas de se manter no ambiente de
maneira segura, sem coerção. Entretanto, esta forma não é a forma mais segura.
E obter reforçadores positivos não é sinônimo de comportamentos adequados ou
assertividade do sujeito. Sendo assim, o indivíduo busca várias formas de
evitar “problemas” ou fugir deles.
A
mentira pode ter algumas explicações, como por exemplo, uma forma de fugir de
um controle, de alguém que ameaça e dá bronca; ou uma forma de fazer com que o
indivíduo sinta-se melhor diante de suas fraquezas. Algumas consequências
desses comportamentos geram subprodutos (sentimentos). Ou seja, o sujeito que
obtém reforçadores negativos, sendo eles broncas e castigos, provavelmente
emitirá comportamentos de esquiva ou fuga. Estes comportamentos poderão ser
mantidos se o agente controlador continuar emitindo comportamentos que punam o
sujeito.
Ao
longo do tempo essas consequências podem fazer o sujeito medroso e ansioso.
Então, onde a mentira ocorre para que o sujeito evite punição, pode-se nomear
como uma forma de “contra controle” para o sujeito que tenta incessantemente
cessar esta forma de “choque” em comportamentos.
Quando
a ideia é facilitar a vida, pode-se entender como as contingências da vida de
um sujeito na sociedade podem ter consequências diversas. Neste caso a mentira
está relacionada com as contingências sociais e o controle, pois diante do
aprendizado que o indivíduo agrega ao longo de sua vida, controlar pode se
tornar uma das funções de suas relações com o ambiente.
Esta
resposta podemos encontrar através de uma análise funcional do comportamento de
quem está vivendo sob mentiras. Ao perceber esta situação, precisamos analisar
o quanto as mentiras de seu parceiro ou filho estão atrapalhando no dia-a-dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário